sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Então... É Natal!


É, chegou o Natal... Tão esperado por uns, não tanto por outros... E há quem não goste, por várias razões... Mas a realidade é que hoje é Natal! Dia tão especial... Presentes, comidas, cheiros, canções... A atmosfera é diferente, as coisas ficam diferentes! Dia tão sublime...
É certo que é uma data um tanto quanto explorada pelo capitalismo-consumista que aproveita para engordar as receitas e faturamentos de muitas empresas, mas não podemos esquecer da importância deste dia...
Não quero fazer uma reflexão teológica aqui, quero poetizar, romantizar, celebrar este dia...
Lendo Rubem Alves, providencialmente, por esses dias, vi o seguinte: "[...] Natal é coisa triste porque se tenta pegar uma coisa que não volta mais. É (quase) luto, procura do que se perdeu... Tanto é assim que nele não se admitem coisas novas. As canções têm que ser as mesmas, pois é nelas que moram as memórias. E também os bolos e as frutas, nossos amigos de infância: sacramentos de uma meninice que se foi. [...]". Concordo e discordo de Rubem Alves . "Luto" é um tanto pesado, mas não dista muito da realidade... O tempo passa, lugares e pessoas vão ficando ou indo embora, e este tempo nos lembra destes lugares e pessoas, doces lembranças... "Sacramentos", sinais de um tempo que já se foi e que ainda não veio... Tudo é símbolo, presença, "sacramento"...
Ao passar por um certo lugar hoje, bem distante daqueles de minha infância, senti o cheiro da meninice natalina... assados, doces, bolos... Meu Deus, que lembrança... Viajei na memória, lembrei de minha mãe com minhas tias preparando aquelas deliciosas guloseimas e comidas que devoraríamos dali alguns instantes, mal saíssem do forno... Sem entender, sem imaginar, sem saber, haveria ali uma "comunhão"... Vi caixas de presentes, lembrei de quando criança, ao chegar à casa de meu avô e vendo aqueles embrulhos, pensava: "qual será o meu? e o que deve ser?"... Expectativa, espera de quem não sabe onde vai chegar e o que virá... Assim é a vida, não sabemos o que será de nós e para onde iremos, só sabemos que existem momentos para lembrarmos até onde nós chegamos, e a fé que nos dá a diretriz de onde cremos um dia chegar...
Natal é isso: celebração de quem não sabe onde vai chegar e o que virá e acredita no Mistério, mas o Emanuel (Deus Conosco) chega para nos mostrar de onde viemos e para que vivemos, e a necessidade de restaurar o homem interior, que caminha pelas estradas da vida sem saber onde chegará, mas com a certeza de que Aquele que nos espera é fiel, e nos aguarda com braços abertos num lugar que contemplamos pela fé!
Oxalá todos vissem o Natal assim... E não mais uma simples festa de comilanças e bebedeiras, como uma outra qualquer...
A todos, um feliz Natal de muito "Shalom" e Graça!
Aos que já deixaram as estradas poeirentas desta vida aqui, nossas saudades e ternas lembranças!

Um comentário:

olga disse...

Se eu gostava de voce como professor , agora gosto mais ainda como pessoa e poeta, parabéns. Que o Senhor te abençoe. Voce conseguiu traduzir em palavras os sentimentos de muitos de nós, que no meio desse corre corre desenfreado, não sonseguimos exprimir.